CNS e Frente Pela Vida denunciam calamidade no Brasil para instâncias internacionais

Com informações da Ascom/CNS

O Brasil registra mais de 10 milhões de casos e mais de 260 mil mortes por complicações da Covid-19 desde o início da pandemia. Sem incentivo da principal autoridade política do país para o cumprimento das medidas de prevenção e exposição ao risco da doença, além de uma campanha de vacinação a passos lentos, o Conselho Nacional de Saúde (CNS) e a Frente Pela Vida decidiram levar essas preocupações para instâncias internacionais na última segunda-feira (8/3).

Em Brasília, o presidente do CNS, Fernando Pigatto, entregou uma carta assinada pelas entidades da Frente para a representante da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/OMS) no Brasil, Socorro Gross. O documento apela ao Presidente do Conselho Executivo e ao Diretor Geral da Organização Mundial da Saúde (OMS) que chamem à responsabilidade o governo brasileiro, convocando-o a controlar efetivamente o evento sanitário de maior proporção deste século.

“O Brasil se tornou o epicentro da pandemia e o governo precisa ser responsabilizado. O que se faz ou deixa de fazer aqui gera consequências de vida ou de morte para o nosso povo e para a população da América Latina e do mundo”, afirmou Pigatto.

O documento relata o agravamento da situação no país, desde janeiro de 2021, com mais de 75 mil casos novos e quase 2 mil  mortes  por dia. Com impacto mais significativo nas camadas vulnerabilizadas da população. “O país vive, nesse  momento, o colapso do seu sistema de saúde, tanto no setor público como no privado”.

A representante da Opas/OMS destacou o trabalho que vem sendo feito pelo CNS e pela Frente pela Vida, apontando preocupações com a segunda onda da pandemia que se impõe no Brasil. “Os dados que temos em relação ao que aconteceu na Europa e Estados Unidos mostram que o impacto na transmissão e na hospitalização é maior que na primeira e, por isso, pensamos que as medidas deve ser extremas, tanto de distanciamento, do uso de máscaras, de evitar aglomerações, uso de álcool gel e lavagem das mãos”, ressaltou Socorro, confirmando que o documento será encaminhado aos dirigentes da OMS. 

Carta chega à ONU

Em seguida, o vice-presidente eleito da Federação Mundial das Associações de Saúde Pública (WFPHA) e integrante do atual Conselho da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), Luis Eugenio de Souza, encaminhou a carta para a Alta Comissária dos Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), Michelle Bachelet. 

A carta apela que Conselho dos Direitos Humanos da ONU alertem o governo para as possíveis retaliações que o Brasil pode sofrer por desrespeitar as normas sanitárias internacionais e os direitos humanos. “O descontrole da pandemia no Brasil atinge não apenas os que aqui residem, mas ameaça o mundo todo com a disseminação de novas variantes do vírus”, destacou Luís Eugênio.

“A OMS e o Conselho dos Direitos Humanos da ONU não podem intervir diretamente no país, mas devem alertar o governo para as possíveis retaliações que o Brasil pode sofrer por desrespeitar as normas sanitárias internacionais e os direitos humanos”, completou.

Assista trecho da reunião com a Opas

Leia a carta na íntegra

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